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sexta-feira, 3 de setembro de 2010


Dizia a previsão do tempo que uma chuva iria cair resolvi me prevenir levando na bolsa um guarda-chuva, era um dia frio da estação de outono, você era o verão que ainda sem saber me aquecia e eu a garota prudente com medo de arriscar.
A temperatura estava realmente congelando meus sentidos - não só a temperatura. Eu estava com medo, tudo era perturbante, mas sem neurose, ainda dava para caminhar sobre as folhas secas caídas ao chão, ouvia os meus passos leves e o constante ruido do salto alto, as lágrimas secavam enquanto escorriam pela face e a chuva caia, esqueci que eu possuía um meio de me proteger e continuei caminhando, seguia pensando em tudo que vinha acontecendo, eu odiava isto mas vez ou outra era necessário.
Olhei em uma vitrine e vi que a maquiagem escorria junto as lágrimas, os cabelos já estavam sem formato e as roupas obtiveram a transparência que a água as dá, entretanto isso não me deixava nada aflita, eu estava irrevogavelmente apaixonada, preocupada e mal, parecia uma fase irresponsável de uma pessoa qualquer, ou uma neurose absurda, eu estava sorrindo, sorrindo e chorando, buscando as palavras que desapareciam com o tempo, com o vento, com a chuva, sem perceber cheguei na tua porta, eu estava ali, preparada - ou não.
Dentro de mim havia uma certeza, daquele momento não poderia passar, ainda assim, desci as escadas do prédio eu precisava de calma, de mais calma, precisava das palavras, na rua tomei uma bebida qualquer, levemente alcoolizada, eu dizia: "Mais uma dose, por favor", de repente, aquilo havia tomado conta de mim, fora de qualquer regra, de qualquer estilo de conversa que eu imaginava e planejava para nós, bati na tua porta, não lembro sequer de uma palavra e francamente? Tampouco me importo, afinal, deu certo.

Eles eram uma coisa só, juntos eram preocupação, esperança, afinidade, segredos, carinhos, histórias, lembranças (...)
Ele acreditava nela, nos ideias, apoiava até, tinha medo de perder o controle, odiava a ver crescendo, a cada passo que ela dava, ele tinha uma certeza, de que logo não a teria perto todos os dias.
A vida ia traçando o destino onde ele já não podia interferir, ele cuidava de longe mas com o mesmo amor de sempre, todo o cuidado era pouco - muito.
Quando ela estava com medo corria até os braços dele, onde ele a abraça e a deixava segura.
Uma coisa tão linda, com planos para o futuro e tudo mais, um amor certamente eterno, a coisa mais linda que se pode existir, juntos eram Pai e filha.
Eu quero que você fique, querido. Eu sei que podemos sonhar juntos, voar, cair, sei que pode dar certo - você também sabe.
Me pegue no aeroporto no dia e horário combinado, não rasgue o número do meu celular, dói em mim também, sei muito bem o que nos trouxe até aqui, sabemos que você quer o mesmo que eu.
Aí a gente faz aquelas coisas juntos, que todo casal quer. Me leve pra um lugar da sua cidade que eu sempre quis ir, a gente pode correr no gramado, podemos rolar nele, iremos tomar café da manhã em um local que você goste da cidade, vamos sair fotografando coisas lindas, fazendo caretas um para o outro, te chamarei de meu amor, daremos as mãos e olharemos nos olhos um do outro, veremos amor neles. Olhos que brilham.
A gente pode voltar bem tarde para casa sentar na calçada, contar as estrelas, fazer planos, vamos ver o dia nascer e eu vou adormecer nos teus braços, ah vai ser um dia bom, quando ficamos juntos sempre é bom.
Vou te falar as coisas que eu amo e as que eu odeio de uma forma meio neorótica até você me fazer ficar quieta ao tocar meus lábios com os teus.
Pare com isso, ouça o que eu tenho a te dizer e tudo será assim, pode ser até melhor, se o que eu preciso fazer é pedir desculpas, estou aqui lhe implorando perdão, mas por favor, não vá embora, porque se for levará um pedaço de mim, que é você.
Esse amor é muito forte, muito raro, não deixe o vento levar, me espere, eu já estou indo, vai dar tudo certo, ficará tudo bem (...)

"oooh no, baby please don't go ♪"
stava na janela, via os carros passando, os adultos e adolescentes saindo para aproveitar a noite de sexta, alguns sentados na calçada do prédio fumando uns cigarros e tomando vodca com energético ou sabe-se lá do que eram as latas.
Via também gente bebada, pessoas extremamente alcoolizadas passando mal nos carros que paravam, quando a gente mora no centro, pela janela se vê quase o mundo. Pelo menos aqui é assim, eu vejo o nascer do sol, gente correndo contra o tempo para nunca atrasar, vejo pessoas acostumadas, prevenidas, casais de todos os gêneros, brigando ou amando. Daqui observo coisas lindas, como a lua cheia, e horríveis como fins e fins de coisas importantes.
Todo fim de semana é esse caos, essa loucura toda, o melhor é ver que as pessoas ficam felizes por tudo isso, sorrisos, adoro ver sorrisos, acho que isso me mantém aqui, ver de longe tudo que acontece dentro.
Engraçado é que nunca tenho vontade de me juntar, hoje mesmo eu prefiro ficar aqui, pegar um cobertor, aproveitar o frio com um bom filme, pipoca, capuccino, e claro, uma boa companhia.
Me diga aonde você se perdeu, tenho observado atentamente todos os dias, e não te vejo mais gritando meu nome no meio do inferno que esse lugar tem sido, com você eu me misturava se necessário, mergulhava em qualquer loucura, geralmente não era preciso, tinhamos um universo perfeito, virávamos noites e mais noites conversando, trocando carinhos, e agora, aqui dessa janela, tudo é bem mais distante, mais frio, sem você não é igual, sempre que olho tenho a esperança de te ver chegando, entrando no prédio, ou de escutar o interfone tocar pra eu autorizar sua subida (...)
Aqui nessa janela nada é igual, as estrelas não brilham tanto, as nuvens não escrevem nossos nomes, ninguém que faça meu coração bater mais forte tem aparecido. Volta, se não puder voltar, me devolva as tintas, e então eu pinto nosso universo assim toda vez que eu olhar, irei te ver, e te vendo, poderei sorrir.


'-Onde quer que eu vá, o quer que eu faaaaça, sem você não tem graça

Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira: compreendo, sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe, berrando de pavor para o mundo insano, e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó. O que ou quem cruzo esses dois portos gelados da solidão é vera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo. E exigimos o eterno do perecível, loucos.

[Caio F.]
Admiro os que deixam a lágrima cair dos olhos e rolar pela face sem medo de quem pode ver, quem deixa de ser prudente na hora que ousadia é necessário, quem consegue separar amizade de amor e quem sabe perdoar.
Admiro aqueles que realizam seus sonhos e vão de pequenas conquistas a vitórias inacreditáveis, admiro muito a amizade.
Vai além da minha admiração quem ama a todo custo e faz tudo para que dê certo, sabendo ceder sempre que é a melhor opção, quem se doa não só de corpo e coração mas de alma também.
Admiro quem sabe abandonar os planos e metas quando começa a notar que não pode mais ser desse jeito, quem fica em silêncio quando a discussão está no auge, aqueles que aprendem com os erros ou melhor, os que reconhecem os erros.
Admiro quem sonha acordado, os devaneios das pessoas, os piores amores, as melhores risadas, quem sabe perceber o quão é bom o presente fazendo dele a melhor parte da sua vida. Quem não fica lamentando o que passou com a frasezinha clichê "a melhor fase da minha vida passou e eu não ví" ou aquela mais comum ainda "eu era feliz e não sabia".
Nada de era, passado serve para lembranças e só. Caso queira, nostalgia. Admiro pra valer quem faz um dia ser melhor que o outro, quem tem astral para animar todo mundo, quem sempre tem um bom conselho e sempre nos dá a mão quando precisamos, admiro quem tem atitude.
Aprecio ações de diversas pessoas, principalmente aqueles que servem de estrela guia, levando a simplicidade a sério, sendo novo a cada dia, sendo mais que essencial.
Por fim digo que admiro apesar de tudo os erros, os dias, a esperança e a vontade de continuar que vem de dentro, isso sim me dá forças para poder observar tudo e dizer, valeu a pena. Porque sempre vale! Não é?