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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Vamos brincar, amor?



Vamos jogar peteca. Vamos atrapalhar os outros, amor, vamos sair correndo. Vamos subir no elevador, vamos sofrer calmamente e sem precipitação? Vamos sofrer, amor? Males da alma, perigos. Dores de má fama íntimas como as chagas de Cristo. Vamos, amor? Vamos tomar porre de absinto. Vamos tomar porre de coisa bem esquisita, vamos fingir que hoje é domingo, vamos ver o afogado na praia, vamos correr atrás do batalhão? Vamos, amor, tomar thé na Cavé com madame de Sevignée. Vamos roubar laranja, falar nome, vamos inventar. Vamos criar beijo novo, carinho novo, vamos visitar N. S. do Parto? Vamos, amor? Vamos nos persuadir imensamente dos acontecimentos. Vamos fazer neném dormir, botar ele no urinol. Vamos, amor?
Porque excessivamente grave é a Vida."


in Poesia completa e prosa: "Poesias coligidas"
Vinícius de Moraes
"Porque com o tempo você aprende a se revestir com camadas de coragem que o impede de ver pequeno. De ver ruim. Com o tempo você aprende que as coisas não te ferem mais como antigamente, porque é dentro de você que as coisas permanecem intactas e bonitas. Com o tempo você aprende que às vezes não compensa gastar tempo se doando por inteiro pra uma pessoa que não sabe se dar. Pra uma pessoa que sonha baixo e afoga as ternuras num copo de ressentimentos sem gelo."

Cris Carvalho
"Primeiro é o amor sem fim.
A segunda é ver o outono.
A terceira é o grave inverno.
Em quarto lugar o verão.
A quinta coisa são teus olhos...

Não quero dormir sem teus olhos...
Não quero ser, sem que me olhes...

Abro mão da primavera para que
continues me olhando."

Pablo Neruda
"O tempo é relativo. Sei que não sou o primeiro a perceber isso e estou longe de ser o mais famoso. Minha percepção também não tem nada a ver com energia, massa, velocidade da luz ou qualquer outro postulado de Einstein. Pelo contrário. Tem a ver com o arrastar das horas enquanto eu esperava por Savannah."

Querido John
"E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa: uma impaciência da alma consigo mesma, como com uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre; fixo os mínimos gestos faciais de com quem falo, recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos; mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa, e o que menos colhi da conversa foi a noção do que nela se disse, da minha parte ou da parte de com quem falei. Assim, muitas vezes, repito a alguém o que já lhe repeti, pergunto-lhe de novo aquilo a que ele já me respondeu; mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas, o semblante muscular com que ele disse o que me não lembra, ou a inclinação de ouvir com os olhos com que recebeu a narrativa que me não recordava ter-lhe feito. Sou dois, e ambos têm a distância — irmãos siameses que não estão pegados."

Bernardo Soares in Desassossego
a Fernando Pessoa

quarta-feira, 15 de junho de 2011



Charneca Em Flor:

"Tarde de brasa a arder, sol de verão
Cingindo, voluptuoso, o horizonte…
Sinto-me luz e cor, ritmo e clarão
Dum verso triunfal de Anacreonte!

Vejo-me asa no ar, erva no chão,
Oiço-me gota de água a rir, na fonte,
E a curva altiva e dura do Marão
É o meu corpo transformado em monte!

E de bruços na terra penso e cismo
Que, neste meu ardente panteísmo
Nos meus sentidos postos e absortos

Nas coisas luminosas deste mundo,
A minha alma é o túmulo profundo
Onde dormem, sorrindo, os deuses mortos!"

Florbela Espanca
"Você pode tudo nesta vida. Só não pode se fazer infeliz."

Jorge Luis Borges
Esperança é quando a gente tem um guarda-chuva colorido para usar nos dias de tempestade."

Sabrina Davanzo


"Lembro-me do passado, não com melancolia ou saudade, mas com a sabedoria da maturidade que me faz projetar no presente aquilo que, sendo belo, não se perdeu."

Lya Luft
"Realidade é a gente que inventa. A gente pode brincar que é feliz e fica sendo. Igual quando se dedilha uma canção... quem faz o som senão as nossas próprias mãos? A gente é capaz de fazer nuvem da poeira e nem sabe... só precisa levantar e sacudir. A gente traz no peito uma máquina que fabrica sonhos só nossos, mas a máquina não funciona se a gente não der corda e emperra se a gente não usa. E Deus lá criaria alguma coisa sem utilidade? Tem que sonhar, tem que querer. Eu sempre quero e aprendi a fazer colar com as lágrimas que caem quando um sonho sai meio torto. O sonho eu levo de volta para a forma, pra ver se ganha outro molde, e o colar eu penduro no pescoço que é pra tristeza ficar bonita."

Sabrina Davanzo
"Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica. Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente."

Ana Jácomo

terça-feira, 14 de junho de 2011



"Quem mais, além de mim, vai ler estas cartas? Com quem mais, além de mim, posso procurar conforto? Estou sempre precisando de consolo, costumo me sentir fraca e com frequência deixo de atender às minhas expectativas. Sei disso, e todos os dias resolvo ser melhor."

O Diário de Anne Frank (2)


"A regra da ‘Física da Procura’ é mais ou menos assim: se você for corajoso o bastante pra deixar tudo pra trás que é familiar e cômodo, que pode ser qualquer coisa, desde a sua casa até a amargura de antigos ressentimentos e planejar uma viagem de busca verdadeira, tanto externa quanto interna, e se estiver realmente disposto a considerar tudo o que acontecer com você nessa viagem como uma pista e se você aceitar todos que encontrar ao longo desse caminho como professores e se estiver preparado, acima de tudo, a enfrentar e perdoar algumas realidades bem difíceis sobre si mesmo, a verdade não será negada a você."

Eat, Pray, Love
“Quero ver coisas novas, e isso eu só conseguirei se não tiver mais medo da loucura.”

segunda-feira, 13 de junho de 2011

"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens."

Fernando Pessoa
[123º Aniversário]